terça-feira, 12 de abril de 2016

E agora, como é que vai ficar?

Neste domingo, dia 11 de Abril, nos encontramos com os moradores do Morro do Carrapatos, no local onde mais de trinta famílias viveram por mais de dez anos. Emdecorrência do processo judicial movimento por uma construtora Londrinense, a fim de desocupar o terreno, hoje são poucas famílias no local. O curioso é que, por anos, os ocupantes nem sequer sabiam que o terreno tinha um dono, pois não havia exercício de qualquer dos atos inerentes a posse e, no entanto, a construtora, proprietária, foi amparada judicialmente e concedida a ordem de despejo.
Representando judicialmente a Comunidade do Morro dos Carrapatos, foi possível que o prazo para desocupação fosse estendido, mas a decisão do juiz, tomada liminarmente e, portanto, muito antes de haver uma sentença transitada em julgado, foi mantida. Atualmente, apesar de vencido o prazo, nenhuma medida de assistência foi tomada. Como se há de supor, as ocupações não são fruto de desejo, e sim de iminente necessidade.
Em acordo informal, a construtora se comprometeu a não desmontar o “barraco” dos que ainda estão morando lá, mas insistiu em enviar o caminhão de desmanche para colocar abaixo qualquer barraco desocupado. Esta atitude, evidentemente, visa impedir novos ocupantes ou o regresso dos antigos moradores, já que não se justifica nem mesmo pelo motivo que alegam ser importante a desocupação: um projeto de construção de moradias populares. Este projeto nem sequer foi aprovado, e é imprevisível quando e se esta aprovação se tornará fato.
Por “descuido”, o barraco de um morador foi derrubado enquanto ele estava trabalhando. Segundo Paulo, incipiente liderança comunitária no vídeo, o amigo “chorou como uma criança”, tamanho o desespero de voltar para casa e ver seu lar espedaçado pelo chão. Após o ocorrido, as famílias vivem em clima de constante tensão. Ninguém deixa a casa sozinha, com medo de que ela seja derrubada e que esta violência seja amparada pela leveza do descaso.
Baseados no Novo Código de Processo Civil, recentemente pedimos uma audiência com a presença do Ministério Público e da Defensoria Pública, em prol de salvaguardar os inúmeros direitos ofendidos.
No vídeo abaixo, o moradora Paulo faz um pequeno relato da situação atual e pergunta: “E agora, como é que vai fica?” É esta a pergunta que fazemos ao Judiciário, ao Ministério Público, a Defensoria Pública, e a toda comunidade Londrinense, e a nós mesmos. Se não houver mobilização, a resposta é previsível. Mas acomodar-se é abrir mão da dignidade e da própria vida, e isto não podemos fazer.
Interessados em ajudar ativamente a comunidade Morro dos Carrapatos favor entrar em contato através de inbox, pelo nosso email ou pelo site.

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